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O trovador 12 março, 2012

Posted by Alysson Amorim in Uncategorized.
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Publicado originariamente em 10/11/2010

G.K. Chesterton, em São Francisco de Assis: a espiritualidade da paz

O que salta aos olhos na vida de São Francisco está presente já no começo de sua história: ao se considerar, desde o início, um trovador, acrescentando mais tarde que era o trovador de um romance mais novo e mais nobre, ele não estava usando uma metáfora, mas compreendia a si mesmo bem melhor do que os eruditos o compreendem. Francisco foi, até as últimas raias do ascetismo, um trovador. Foi um apaixonado. Apaixonado por Deus, e verdadeiramente apaixonado pelos homens, talvez uma vocação mística bem mais rara. Um apaixonado pelos homens é quase o oposto de um filantropo. Na verdade, o pedantismo da palavra grega tem praticamente o efeito de uma sátira de si mesma. Pode-se dizer que um filantropo ama antropóides. Contudo, do mesmo modo que não amava a humanidade, mas os homens, São Francisco não amava o cristianismo, mas a Cristo. Alguém poderá dizer que ele foi um louco que amava um ser imaginário; mas era um ser imaginário, e não uma idéia imaginária. O leitor moderno tem mais condições de encontrar a chave do ascetismo e de tudo o mais na história de amantes que são um pouco loucos. Se você contar a história como a narrativa de um dos trovadores e de todas as loucuras que ele faria por sua dama, todo o enigma moderno desaparece. Num romance desses, não haveria contradição entre o poeta que colhe flores ao sol e suporta uma gelada vigília na neve, entre seu louvor de toda a beleza da terra e do corpo e sua recusa em comer, entre sua glorificação do ouro e da púrpura e seu uso decidido de andrajos, entre sua pungente demonstração de fome de uma vida feliz e a sede de uma morte heróica. Todos esses paradoxos se resolveriam facilmente na simplicidade de todo amor nobre. A diferença é que esse era um amor tão nobre que nove entre dez homens nem sequer chegaram a ouvir falar dele.

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