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Da dúvida 12 março, 2012

Posted by Alysson Amorim in Uncategorized.
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Publicado originariamente em 25/09/2010

Diante da pergunta que é o próprio espírito insuflado nas narinas do homem (aquela que, no processo evolutivo, o inaugura como tal) – diante da mais antiga das questões, e portanto da mais vital delas: a que exclama sobre a anulação do próprio ser – todo esforço cicatrizador, dirigido a conter a insolidez dos fluxos e refluxos abertos por essa exclamação, não é outro senão esforço de estancamento fatal, de morte.

Em outra aproximação do mesmo raciocínio, os que matam o espírito são os que, exibindo falsos diplomas de cricatrizadores-do-mundo, aplacam covardemente o que há de mais humano no homem (a dúvida). A dúvida fundamental sobre nosso destino e todas as que jorram como afluentes coléricos deste rio caudaloso.

Acho que Jung foi quem disse (não com essas palavras) que em uma primeira fase da vida somos tentados a encontrar todos os demônios na próxima esquina ou no palácio do governo. Logo esfarrapamos a cara em uma constatação trovejante: há sim demônios na esquina, e aos montes eles são achados nos palácios e nos governos, mas os piores, os de crueldade mais refinada e atroz, estão mendigando e reinando em esquinas labirínticas e torres de sangue urdidas em nossa alma.

Os falsos cicatrizadores-do-mundo habitam em nós – e são obcecados por curas ilusórias, por alegrias de verniz. Sua hábil e antiqüíssima tática consiste em reprimir o fluxo do ser, a individuação, e neste levante os expedientes são os mais variados. São eles os responsáveis pelas incontáveis mentiras que armamos contra nós mesmos. É por eles que acreditamos sem acreditar; que aderimos a um sem número de dogmas que carregam selos inautênticos de autoridades as mais várias, mas vestígio algum de nossa digital. É por suas mãos que a alegria sofre grosseira falsificação.

É neste espírito de oferecimento de facilidades, de distribuição gratuita de engodos sorridentes, que nos blindamos da experiência excruciante da dúvida – e assim, das raízes de nosso próprio ser.

Quando nos pegamos, vez ou outra, “com a mão na botija”, quando só podemos dizer de nós que somos uma completa farsa (apesar de nossas firmes crenças, apesar de nossas alegrias de paquita) é o Espírito soprando nas frestas e ruas deste simulacro de cidade que edificamos no solo da alma. É a promessa do retorno dos fluxos alucinantes da dúvida – da vida, portanto.

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