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A substância do tempo 3 março, 2012

Posted by Alysson Amorim in Uncategorized.
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Publicado originariamente em  10/03/2010

O tempo se auto-aniquila em um assustador jogo onírico; é Ouroboros, a serpente que devora a própria cauda. O presente, sugere Schopenhauer, é apenas um limite sem extensão entre duas nulidades; o mundo é um sonho.

Schopenhauer, em O Mundo como Vontade e como Representação

(…) No tempo, cada momento só existe na medida em que aniquila o precedente, para por sua vez ser de novo rapidamente aniquilado; assim como passado e futuro (independentes das consequências de seu conteúdo) são tão nulos quanto qualquer sonho, o presente, entretanto, é somente o limite sem extensão e contínuo entre ambos – assim também reconheceremos a mesma nulidade em todas as formas do princípio de razão, convencendo-nos de que, do mesmo modo que o tempo, também o espaço e, como este, tudo o que se encontra simultaneamente nele e no tempo, portanto tudo o que resulta de causas e motivos, possui apenas existência relativa, existe apenas por e para um outro que lhe assemelha, isto é, por sua vez também relativo. O essencial desta visão é antigo: Heráclito lamentava nela o fluxo eterno das coisas; Platão desvalorizava seu objeto como aquilo que sempre vem-a-ser, sem nunca ser; Espinosa o nomeou meros acidentes da substância única, existente e permanente; Kant contrapôs o assim conhecido, como mero fenômeno, à coisa-em-si; por fim, a sabedoria milenar dos indianos diz: “Trata-se de MAIA, o véu da ilusão, que envolve os olhos dos mortais, deixando-os ver o mundo do qual não se pode falar que é e nem que não é, pois assemelha-se ao sonho, ou ao reflexo do sol na areia tomado à distância pelo andarilho como água, ou ao pedaço de corda no chão que ele toma como uma serpente.” O que todos pensam e dizem, entretanto, não passa daquilo que nós também agora consideramos, ou seja: o mundo como representação submetido ao princípio de razão.

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