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Poema sobre o desastre de Lisboa 14 janeiro, 2010

Posted by Alysson Amorim in Uncategorized.
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Excerto do Poema sobre o desastre de Lisboa [Poème sur le désastre de Lisbonne], de Voltaire (1755).

(…) Ó infelizes mortais! Ó deplorável terra!
Ó agregado horrendo que a todos os mortais encerra!
Exercício eterno que inúteis dores mantém!
Filósofos iludos que bradais «Tudo está bem»;
Acorrei, contemplai estas ruínas malfadas,
Estes escombros, estes despojos, estas cinzas desgraçadas,
Estas mulheres, estes infantes uns nos outros amontoados
Estes membros dispersos sob estes mármores quebrados
Cem mil desafortunados que a terra devora,
Os quais, sangrando, despedaçados, e palpitantes embora,
Enterrados com seus tetos terminam sem assistência
No horror dos tormentos sua lamentosa existência!
Aos gritos balbuciados por suas vozes expirantes,
Ao espectáculo medonhos de suas cinzas fumegantes,
Direis vós: «Eis das eternas leis o cumprimento,
Que de um Deus livre e bom requer o discernimento?»
Direis vós, perante tal amontoado de vítimas:
«Deus vingou-se, a morte deles é o preço de seus crimes?»
Que crime, que falta cometeram estes infantes
Sobre o seio materno esmagados e sangrantes?
Lisboa, que não é mais, teve ela mais vícios
Que Londres, que Paris, mergulhadas nas delícias?
Lisboa está arruinada, e dança-se em Paris.(…)

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Comentários»

1. rubens osorio - 15 janeiro, 2010

O Tuco vai gostar de ler o poema. É resposta ao que ele postou ontem na Trilha.
Poema belo, triste e certíssimo!

2. Lou Mello - 15 janeiro, 2010

Pois é, olhando as cenas do Haíti não consegui, até agora, formular nada. Só estarrecimento horrorizado e a mais completa ausência de palavras capazes de expressar qualquer coisa capaz de fazer algum sentido. Não foi o caso de Voltaire, nesse texto, ele achou as palavras em acontecimento semelhante.

3. Haiti « A Gruta - 15 janeiro, 2010

[…] o recente terremoto. Depois de circular por aí, palpitar em outros blogs, ler o texto do Gondim e o Voltaire postado pelo Allyson, acabei cedendo e aqui […]

4. tuco - 15 janeiro, 2010

Putzgrila! De onde saiu isso? Gostei mesmo, Rubinho.

5. Ricardo Gondim - 15 janeiro, 2010

Amigo, tentei expremer da medula um lamento que também me distancie de uma divindade que erra o alvo. Enquanto o Haiti agoniza, dança-se em Paris.

6. Paulo Brabo - 16 janeiro, 2010

Só os ateus sabem o que não é a graça.

Ds - 24 junho, 2016

quem disse que Voltaire era ateu?

7. Janete - 16 janeiro, 2010

Garimpeiro, o que há que você não encontre?
Minha opinião vai por e-mail. Beijo

8. Felipe Fanuel - 18 janeiro, 2010

Voltaire foi muito bem ressuscitado — obrigado! Lisboetas e haitianos agora conhecem um outro lado dessa fé vazia em uma segurança-incerta que muitos chamam de “Deus”.

9. tonimelo » Blog Archive » Teste Texto for site - 20 janeiro, 2010

[…] qualquer precedente escriturístico, sendo além de tudo heresia defendida há séculos por ateus desprovidos de qualquer mérito. Sem […]

10. José Reis - 28 janeiro, 2010

Prezados,
Antes de atirar a primeira pedra na Divina Providência; melhor interar-se em que contexto histórico Voltaire escreve o poema, um libelo contra a corrente de filósofos ditos “otimistas”(Leibniz, Pope ect…). Em tempo, seria interressante também a leitura da Carta sobre a Providência que Rousseau escreveu em resposta ao poema de Voltaire.

Sds

José Reis

11. Julia Michaels - 28 abril, 2010

Por favor, gostaria de saber o nome do tradutor deste poema— grata.

12. ADAUTO - 25 maio, 2014

SOU GAY


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