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All The Wild Horses 14 outubro, 2009

Posted by Alysson Amorim in Uncategorized.
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Suspeito que dentre as tantas veias de que sou feito, alguma particularmente obscura me liga a um lugar que nunca cheirou a sola de meus pés, o sul dos Estados Unidos. Compadeço-me das personagens sombrias de Faulkner ao ponto de sentir suas lágrimas em meu rosto; mais do que Robison Crusoé ou Dona Benta, fascina-me o espirituoso Huckleberry Finn, deslizando com seu amigo negro no mitológico Mississipi.

Uma canção do músico norte-americano Ray LaMontagne (que embora nascido e residente na faixa norte do país carrega em si o mesmo espírito sulista que me atordoa) ajudou a tornar mais concreta essa suspeita. LaMontagne, com sua voz rouca e seu estilo soturno, canta sobre cavalos selvagens, amarrados, com lágrimas nos olhos. Não posso conceber imagem mais bela e mais terrível.

A vida de qualquer um é invariavelmente a degradação de uma potencialidade mais elevada, a traição de um plano superior, e nenhuma imagem me transmite mais brutalmente a tragicidade deste axioma que a destes cavalos selvagens e suas lágrimas, e suas cordas (que podem ser suficientemente rijas para sangrar os olhos, mas não para domar o ímpeto de ser).

Ouça e sinta All the wild horses:

All The Wild Horses

All the wild horses
All the wild horses
Tethered with tears in their eyes
May no man's touch ever tame
May no man's reigns ever chain you
And may no man's weight ever defrayed your soul
And as for the clouds
Just let them roll
Roll away
Roll away
As for the clouds
Just let them roll
Roll away
Roll away

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Comentários»

1. Janete Cardoso - 16 outubro, 2009

Os cavalos e os homens são domesticados, a diferença é que os primeiros são domados pelos segundos, e os segundos são domados por si próprios.

Cavalos só precisam ser livres; homens precisam descobrir qual é o ponto que lhes aprisiona, para, então, alcançar a liberdade.

Cavalos precisam se libertar das ferraduras em suas patas, e os homens dos códigos de barras em seus braços.

Se para que possamos ser almas livres, tenhamos que usar de selvageria, que sejamos, então, como os cavalos.

Nós só precisamos saber qual é o campo verde que nos liberta. O campo de cada um de nós.

2. Janete Cardoso - 16 outubro, 2009

Meus olhos sangram, enquanto ouço a música.


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