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Visceralmente nacional 8 abril, 2009

Posted by Alysson Amorim in Citações, Literatura, Poesia.
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T.S. Eliot, excerto de “De Poesia e Poetas”

Observa-se que a poesia difere de qualquer outra arte por ter um valor para o povo da mesma raça e língua do poeta, que não pode ter para nenhum outro. É verdade que até a música e a pintura têm um caráter local e racial; mas decerto as dificuldades de apreciação dessas artes, para um estrangeiro, são muito menores. É verdade, por outro lado, que os textos em prosa têm um significado em suas próprias línguas que se perde na tradução; mas todos sentimos que perdemos muito menos ao lermos uma novela traduzida do que um poema vertido de outro idioma; e na tradução de alguns gêneros de obra científica a perda pode ser virtualmente nula.

NENHUMA ARTE É MAIS VISCERALMENTE NACIONAL DO QUE A POESIA

O fato de que a poesia é muito mais local do que a prosa pode ser comprovado na história das línguas européias. Ao longo de toda a Idade Média e no curso dos cinco séculos seguintes, o latim permaneceu como a língua da filosofia, da teologia e da ciência. O impulso concernente ao uso literário das linguagens dos povos começa com a poesia. E isso parece absolutamente natural quando percebemos que a poesia tem a ver fundamentalmente com a expressão do sentimento e da emoção; e esse sentimento e emoção são particulares, ao passo que o pensamento é geral. É mais fácil pensar do que sentir numa língua estrangeira. Por isso, nenhuma arte é mais visceralmente nacional do que a poesia.

Um povo pode ter sua língua trasladada para longe de si, abolida, e uma outra língua imposta nas escolas; mas a menos que alguém ensine esse povo a sentir numa nova língua, ninguém conseguirá erradicar o idioma antigo, e ele reaparecerá na poesia, que é o veículo do sentimento. Eu disse precisamente “sentir numa nova língua”, e pretendi dizer algo mais do que apenas “expressar seus sentimentos numa nova língua”. Um pensamento expresso numa língua diversa pode ser praticamente o mesmo pensamento, mas um sentimento ou uma emoção expressos numa língua diferente não são o mesmo sentimento nem a mesma emoção. Uma das razões para que aprendamos bem pelo menos uma língua estrangeira é que isso nos permite adquirir uma espécie de personalidade suplementar; uma das razões para não adquirirmos uma nova língua em lugar de nossa própria é que a maioria de nós não deseja tornar-se uma pessoa diferente.

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Comentários»

1. Roger - 8 abril, 2009

Vixi! Como essa constação, tão verdadeira, possui desdobramentos sérios e lamentáveis em nossas vidas e especialmente igrejas!

2. Janete Cardoso - 8 abril, 2009

Lembrei do livro de Cantares, que com a tradução, ganhou um linguajar estranho pra nós.

Sentimento e emoção é o que o homem tem de mais particular. A essência do homem é poesia. 🙂 Amo!

“Um homem pode viver três dias sem água, mas nenhum sem poesia.”

(Oscar Wilde)

3. Gaby - Monjaguerrillera - 11 abril, 2009

Olá Alysson, gostaria de conversar contigo, falar numa entrevista por e-mail, dos temas que voçe elejas, são só quatro perguntas, e depois o deixar todo ao espaço aberto para que se difunda e se veja que ainda se pode crar e reflexionar e crer teologías livres em nosso continente, e que podemos ter uma nova teo-dimensão.
Um abraço forte


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