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Último dos homens 3 fevereiro, 2009

Posted by Alysson Amorim in Citações, Literatura.
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O injustamente esquecido Lúcio Cardoso em seu “Diário Completo”

*

Lembro-me de ter dito, não sei mais onde, que não condizia comigo uma religião que não me permitisse sentar ao lado do último dos homens.

***

A pureza é uma virtude, mas a inocência é uma doença. Não há santos inocentes. Todos os santos são reintegração do homem na sua consciência máxima.

***

Aquela mesma angústia fria, aquela dor sem doer que se espalha pelo corpo inteiro. Arrumo, desarrumo, faço e refaço. Ah, como é difícil ser calmo. Encho-me de remédios, vou à janela: é a noite, a noite dos homens, a minha noite. Ruídos de carros que passam na escuridão. Rádios abertos. Vultos que transitam em apartamentos acesos. E eu, e eu? Onde vou, que faço? Ouço a voz de Cornélio Pena – naquele tempo – “o seu sofrimento é um sofrimento bom, de permanecer à margem.” Não há, Cornélio, pior sofrimento do que permanecer à margem. Não tenho temperamento para isto. Quero amar, viajar, esquecer – quero terrivelmente a vida, porque não creio que exista nada de mais belo e nem de mais terrível do que a vida. E aqui estou: tudo o que amo não me ouve mais, e eu passo com a minha lenda, forte sem o ser, príncipe, mas esfarrapado.

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