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Quando tudo virar pó 18 novembro, 2008

Posted by Alysson Amorim in Uncategorized.
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Quando tudo virar pó é possível que o juiz nos pergunte por qual motivo sacrificamos o amor  real e nos apegamos, através de uma suposta fé, a um suposto amor que rasgaria o mundo em dois e nos redimiria a todos; é provável que ele nos inquira sobre o mal uso que fizemos da esperança, distorcendo-a até ao ponto de torná-la uma justificativa para nossa negligência.

Por querer encontrar o Reino de Deus em algum lugar depois da estratosfera é que o perderemos irremediavelmente; como alguém que tem os óculos na gola da camisa e procura em um domingo desabitado um oculista que lhe redima.

Quando era carne ele nos lecionou que seu Reino está embrenhando em nosso humano sangue como possibilidade. Vertê-lo é o ministério e a missão, e antes de todos ele foi o ministro e o missionário. Antes de qualquer um ele verteu o sangue e o reino.

O reino vertido salvou a prostituta das pedras, redimiu o publicano de sua consciência. Vertido, o reino encheu as taças e estendeu a festa, banhou o ponto mais baixo e animalesco dos homens.

É possível que ao cabo de tudo, soprando o pó, o juiz chore amargamente.

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Comentários»

1. Roger - 19 novembro, 2008

Não sei se o Reino estaria ou não além da estratosfera… mas percebo ele chegando cada vez mais forte. E que ele venha plenamente!

2. rubens osorio - 19 novembro, 2008

sacrificamos o amor.. fizemos mal uso da esperança… e justificamos nossa negligência…
É duro ler isso!!! Muito!!!

3. tuco - 19 novembro, 2008

Dependendo de como se olha, podemos ver o Reino correndo pra longe. Quisera eu verter o Reino além da boca e das pontas dos dedos nos teclados. Vertê-lo nos braços e pernas e mãos e pés e olhos e bolso. Vertê-lo ao próximo. Mas não é mole. Minha especialidade é reter.

4. Janete Cardoso - 19 novembro, 2008

O reino está dentro de nós e é preciso vertê-lo ao mundo.
O problema é que renegamos o amor encarnado. Não negaríamos também seu ensinamento? De fato, a maioria de nós, não está preparada sequer pra reconhecer e receber o amor, quanto mais para vivê-lo, como Cristo ensinou. O amor já se esfriou da maioria.

5. Tamara Queiroz - 21 novembro, 2008

Questionamento que me passou enquanto lia o post:

– E se Cristo não tivesse existido? Aliás, e se Cristo não fosse “popular” como o é e não tivéssemos notícias de nenhum outro ser com atitudes semelhantes, consegue imaginar como seria o mundo? Os nossos pensamentos? Os nossos posts…?

6. Celso Oliveira - 23 novembro, 2008

“Quando era carne ele nos lecionou”

Ele ainda é carne… e osso.

7. Quando tudo virar pó « Laion Monteiro - 24 novembro, 2008

[…] fonte: Amarelo Fosco […]

8. Felipe Fanuel - 25 novembro, 2008

Como será bom quando esse dia chegar! Serão diluídos, enfim, tudo o que sempre deveria ter sido pó. Somos pó e sempre seremos pó.

9. Elisa Maria Rodrigues - 30 novembro, 2008

Se “o inferno são os outros”, como andam dizendo por aí… acho completamente possível que o céu(ou reino, como queiram chamar) possa(e deva) ser nós mesmos.

“distorcendo-a até ao ponto de torná-la uma justificativa para nossa negligência.”
na verdade, acho que toda busca por algo divino é uma forma de negligência por causa das limitações que implicam o “ser matéria humana”.
Limitações? Então porque negligências?

concorda? =)
por que existe um extensa qualificação até o ponto limite, a negligência está exatamente onde o nosso limite ainda pode alcançar, e ainda sim não se faz nada com a desculpa de que “deus salva”.

10. Elisa Maria Rodrigues - 30 novembro, 2008

Se “o inferno são os outros”, como andam dizendo por aí… acho completamente possível que o céu(ou reino, como queiram chamar) possa(e deva) ser nós mesmos.

“distorcendo-a até ao ponto de torná-la uma justificativa para nossa negligência.”
na verdade, acho que toda busca por algo divino é uma forma de negligência por causa das limitações que implicam o “ser matéria humana”.
Limitações? Então porque negligências?

por que existe um extensa qualificação até o ponto limite, a negligência está exatamente onde o nosso limite ainda pode alcançar, e ainda sim não se faz nada com a desculpa de que “deus salva”.

concorda?
=)

11. Alysson - 30 novembro, 2008

Oi Elisa,

Obrigado pela visita.

Se o homem quer ter boa saúde precisa reconhecer suas limitações: éramos, ainda somos e sempre seremos pó, como disse o Felipe Fanuel em seu comentário (e depois o cabra me diz com a maior cara de pau que sou o sujeito mais pós-moderno que ele conhece).

Comparativamente a Deus, somos pó. A “busca pelo divino”, o encontro com aquele que É, intensifica em nós essa impressão. Mas a mesma luz que nos faz ver pode nos cegar. Creio que a missão de Jesus incluía impedir essa distorção – tão presente na vida de um João Batista, que se afastou deliberadamente do mundo. Jesus, ao contrário, era o incluído, estava como pó, mas se embrenhou sem reservas no mundo e em suas preocupações; para o Nazareno era possível mudar a história a partir da história.

Somos pó, mas isso não significa que nada podemos e não justifica nossa atitude de transferir a responsabilidade para o “deus que salva”.

Um abraço e volte sempre.


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