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Cíclica 11 setembro, 2008

Posted by Alysson Amorim in Uncategorized.
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A história humana é uma cíclica batalha de corpos. O homem se multiplica entre “assembléias de cólera”, onde o afogueado líquido vaza, e desesperados coitos, onde ele se combina em não mais branda vertigem. Tudo sucede entre o vazar e o combinar do sangue, entre um urro de dor e um deleitoso gemido.

A aurora e o crepúsculo das civilizações, seu zênite e seu nadir, estão irreparavelmente pincelados com sangue e sêmen.

No zênite, certo guerreiro ergue a espada em que escorrem as gotas rubras de um crepúsculo.

E com as gotas do crepúsculo a aurora se tece em discreto labor.

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Comentários»

1. Roger - 11 setembro, 2008

O bom e velho Alysson Amorin,

Textos lindos, provocativos, que provocam nosso intelecto e alma a dar um passo a mais e sairmos da mesmice. (dessa vez terei que dar mais que um passo para alcançar o Aurélio) rsrs!

De vagar vou me acostumando novamente que você voltou a blogar. Que bom!

Abração, brother,

Roger

2. Janete Cardoso - 11 setembro, 2008

Eu adoooro ler você!

3. rubens osorio - 11 setembro, 2008

Penso que além de cíclico, a história humana é também espiralada, a cada ciclo, avança e se modifica um pouco, tal como as auroras e crepúsculos se movimentam no horizonte. Apenas sangue e sêmen continuam sendo o resultado da batalha…

4. Janete Cardoso - 12 setembro, 2008

Menos ruborizada agora. 🙂

“Depois da batalha,
os corpos suados,
exaustos se rendem
cada um para um lado
e o que se refez
fatalmente,
irá à batalha outra vez”

A história não pode parar…
beijo

5. Tamara Queiroz - 14 setembro, 2008

Há quem tenha influência brahmácharya… fazer o quê?

B-joletas

6. Turuna Tântalo - 17 setembro, 2008

Allyson, você é um demente lúcido, que é como classificaram o Borges… Você me faz sentir uma saudade de saber alguma coisa que nunca soube, talvez…

7. Felipe Fanuel - 18 setembro, 2008

Alysson,

A palavra “líquido” é recorrente em tudo o que você escreve. Sabe que antes de ontem estava perguntando para um colega especialista em Pós-Modernidade em São Paulo o seguinte: “Que diabos Zygmunt Bauman queria dizer com ‘modernidade líquida’?”… Tem coisa que a gente não entende na teoria, mas na prática metafórica fica muito claro. (Isso é verdade em tudo: toda teoria se sustenta em obscuridades — coisas sem luz.)

Você é um cara líquido. Um “demente lúcido”, como comentou brilhantemente Turuna antes de mim.

Minas é o berço cultural do mundo mesmo… Quando eu chegar no céu, eu pergunto a Deus o porquê disso. Como pode o blogueiro mais pós-moderno que conheço conectar-se de BH, aquela capital que nós mineiros insistimos em chamar de “Roça Grande”?

8. Júlio - 4 outubro, 2008

Alysson,

O avesso da nudez, eu diria a respeito dessa reflexão. Um vaso repleto de água não é vaso, é água. E água nunca será vaso. Não caberá a essência humana em confinamentos.
A trinca no vaso, ou seja, a dor, permite que essa substância etérea, informe, livre , se desvista de toda couraça e assuma essa tresloucada subversão e contradição do ser.

Fez-me lembrar também do que W. Blake diz a respeito de nossa sina: Ao homem está destinado viver entre a dor e a alegria. No dia em que ele se apropriar disso, sairá contente caminho afora.

Quanto a mim, minhas águas seriam melhor percebidas pelas que me saem dos poros.
Um grande abraço.


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