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O desastre da consciência 4 setembro, 2008

Posted by Alysson Amorim in Uncategorized.
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“Queremos livros que nos afetem como um desastre. Um livro deve ser como um machado diante de um mar congelado em nós.” Kafka

A infindável discussão acerca da utilidade/inutilidade da literatura, conquanto tenha seu lugar, está um tanto distante de conceber resposta definitiva. Deixo a sala de discussões (que pressupõe a possibilidade de uma única resposta, universalmente válida) e me ponho a vagar na ameaçadora vastidão, farejando uma solução despretensiosa, válida para nada mais que minhas tripas.

Minha relação com a literatura não é (pelo menos não fundamentalmente) qual a da madame com seu colar de pérolas. Como Kafka, quero livros que me afetem “como um desastre”. Livros cujas palavras sejam o fôlego que conflagrarão criaturas interiores.

Uma metáfora quase perfeita para a literatura, esse machado kafkiano, perfurando a superfície sólida do “mar congelado” e abrindo a senda que leva ao abissal, a morada do assombroso.

O machado literário de Raskolnikov. Talvez Kafka pensasse em Dostoievski. Depois do machado no crânio da velha usurária nada seria como antes. O jovem Raskolnikov toparia com os monstros mais horrendos habitando seu próprio quintal.

Esse é o desastre que a literatura provoca em mim. O desastre da consciência.

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Comentários»

1. rubens osorio - 5 setembro, 2008

Cara, é o que acontece quando gosto de um filme, penetra feito machado e me derrete, me emociona e faz pensar, refletir e agir.

2. Tamara Queiroz - 5 setembro, 2008

Apaixonei-me por tuas palavras.

Intenso: “Livros cujas palavras sejam o fôlego que conflagrarão criaturas interiores”!

B-joletas

3. Janete Cardoso - 6 setembro, 2008

Desde que o mundo é mundo, habitado por homens, procuramos nos desastres, conflitos e adversidades, nosso crescimento. Acho que os livros tem essa função mesmo. Ir moldando, transformando ou reafirmando convicções.

beijo

4. Bárbara - 6 setembro, 2008

Também gosto dos livros que causam o “desastre” da consciência.
Mas não precisam necessariamente ser radicais como a machadada.

Também adoro aqueles que chegam devagar trazendo a consciência de mansinho como uma brisa bem leve…

Apesar de que, ultimamente, não tenho provado nem um nem outro,
já que me falta tempo para ler…

😦

5. FChagas - 16 setembro, 2008

Temos organismos diversos. Inclusive “picadeiros políticos, entretendo o povo “. No entanto, em boa hora, alguém soprou: no mundo dos negócios teremos organismo mais inteligentes. Deveríamos ter um órgão pra tudo. órgão da fé, da vida, por que não um órgão legislando a consciência. quem sabe produzindo razão… é apenas uma sugestão.


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