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A partir de nada e de ninguém 16 julho, 2008

Posted by Alysson Amorim in Uncategorized.
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Mestre Eckhart, “Sobre o desprendimento” (Ed. Martins Fontes)

Tenho lido muitas obras, tanto dos mestres pagãos quanto dos profetas do Antigo e do Novo Testamento, procurando saber com seriedade e com toda dedicação qual é a maior e melhor das virtudes que faça o homem unir-se mais estreitamente a Deus e lhe permita tornar-se pela graça aquilo que Deus é por natureza, de modo que o homem chegue a maior conformidade com aquela imagem que ele tinha em Deus, na qual não havia diferença entre ele e Deus, antes de Deus dar origem às criaturas. E assim, esquadrinhando todos aqueles escritos, na medida em que minha inteligência é capaz de compreendê-los, só encontro esta certeza: o desprendimento sincero está acima de tudo, já que todas as virtudes de alguma maneira estão voltadas para as criaturas, enquanto o desprendimento está desligado de todas as criaturas. Foi por isso que Nosso Senhor falou a Marta: “Unum est necessarium”, o que significa: Marta, quem quiser evitar aflições e permanecer puro precisa ter uma coisa, isto é, o desprendimento (…) Deus não pode agir em todos os corações segundo a sua vontade plena, pois, apesar de Deus ser onipotente, ele só pode agir na medida em que encontra ou cria disponibilidade (…) O coração disponível para o Altíssimo deve estar assentado sobre o puro nada, pois é nisto que está a maior possibilidade que pode existir (…) Da mesma maneira, precisa sair do meu coração tudo que possa se chamar isto ou aquilo, para que Deus possa escrever o máximo nele, e o mesmo se dá com o coração desprendido. É por isso que Deus pode agir nele ao máximo e segundo a sua altíssima vontade. Eis o motivo por que o objeto do coração desprendido não é nem isto nem aquilo.

Manoel de Barros, “Ninguém” em “Ensaios Fotográficos” (Ed. Record)

Falar a partir de ninguém faz comunhão com as árvores
Faz comunhão com as aves
Faz comunhão com as chuvas
Falar a partir de ninguém faz comunhão com os rios, com os ventos, com o sol, com os sapos
Falar a partir de ninguém
Faz comunhão com borra
Faz comunhão com os seres que incidem por andrajos
Falar a partir de ninguém
Ensina a ver o sexo das nuvens
E ensina o sentido sonoro das palavras
Falar a partir de ninguém
Faz comunhão com o começo do verbo

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Comentários»

1. Janete Cardoso - 16 julho, 2008

rsrsrs É a primeira poesia do Manoel de Barros, que consigo entender de cara.
Acho que finalmente consegui entrar nesse processo de desprendimento. Tô mais sensível do que sempre pras coisas espirituais, sem misturar com coisas minhas.
Nada dá mais sentido à vida, que ser levada pelo vento…

Olha que estranho: Essa noite sonhei que estava diante de uma cachoeira. Eu me aproximei da água corrente e numa parte estreita, olhava para a água cristalina, que mostrava uma pedra lisa no fundo. Nessa pedra, estavam grafadas como em braile, uma mensagem de contentamento e incentivo, como se eu estivesse acertando. Letras desconhecidas, que eu conseguia entender.
Nunca lembro de sonhos, mas este está nítido até agora! 🙂

beijo

2. Tamara Queiroz - 19 julho, 2008

Alysson,

Que bom que voltou!

……
Quando nos desprendemos… ficamos mais proximos de nos mesmos e, consequentemente, de Deus. Eh uma sensacao maravilhosa quando caminhamos ao “desprendimento”.

B-joletas


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