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Ladrar 11 julho, 2008

Posted by Alysson Amorim in Uncategorized.
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Becos e sujeira e os cães farejando restos entre as rachaduras do cimento, farejando e ladrando no concreto e sob a luz alaranjada do poste, à caça de seus ancestrais carnívoros-selvagens e daquele tempo imemorial quando eram todos um em uma temível alcatéia.

Lobos solitários e encoleirados, uivam e arrastam correntes em rituais noturnos. Aspiram coléricos a selva negra, o útero incriado e inominado, a terrível mão que reduz a pó todas as formas.

A persistência da civilização explica-se: aquilo que nos ofertou pode facilmente ser nominado, mas aquilo que nos solapou não pode ser perfeitamente articulado por linguagem alguma. Nos ofertou o conforto e com ele uma dose módica (embora suficiente) de medo. Quanto ao valor do que nos solapou, apenas a linguagem dos sonhos e o ladrar choroso dos cães domesticados parecem apreendê-lo com relativa aproximação.

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Comentários»

1. Janete Cardoso - 12 julho, 2008

O medo nos faz aceitar a coleira e agradecer por ela. A liberdade vai continuar apenas na linguagem dos sonhos, perdemos a noção do que seja… quem sabe com o tempo isso mude?

beijos


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